Autismo ou surdez?


Quando os pais detectam algum atraso no desenvolvimento do filho, dá-se início a uma busca por respostas que pode ser emocionalmente exaustiva. Quando as dúvidas são levadas aos médicos, isso é feito com a expectativa de ter uma resposta imediata, o que nem sempre é possível. Muitas vezes, o que acontece é que os pais saem da consulta com mais dúvidas e um novo leque de novas e inesperadas possibilidades é aberto. Conosco, esse começo foi extremamente exaustivo e tenho certeza que não fomos os únicos a passar por isso.


Nossa suspeita desde o começo foi o autismo, mas a dos médicos foi outra. Quando levei essa questão à pediatra, esta nos disse para considerar e investigar a hipótese problemas auditivos. Quando disse que tinha certeza absoluta que Bernardo escutava, ouvi que não poderia saber, pois não era médica.


Procuramos um otorrinolaringologista apenas para prestar contas à pediatra e este, na primeira consulta, sem realizar nenhum exame, já estava falando em surdez e implante coclear. Após dois otorrinos e muitos exames realizados com duas sedações, foi detectado que a audição do nosso filho é normal. Esse resultado não nos surpreendeu em nada, pois já sabíamos. Afinal, quando algo era muito de seu interesse, nosso filho reagia ao som ou ao que era dito.  Bernardo não respondia ao nome, mas se estivesse no quarto e começasse a tocar a música do desenho da Peppa na sala, por exemplo, ele vinha imediatamente.


De forma alguma estou dizendo que os exames são dispensáveis e podem ser substituídos por relatos da família, o que, definitivamente, não é o caso. Os exames deveriam ter sido feitos sim, para descartar qualquer hipótese. O que quero dizer é que, se estes não são dispensáveis, podemos dizer o mesmo da observação familiar. Se considerada, ela também pode auxiliar os profissionais a descartar ou levantar suspeitas e otimizar todo este processo de busca por respostas.


É sabido que autismo e surdez podem coexistir, mas isso não acontece com tanta frequência e, na dúvida sobre qual seria o caso, familiares, educadores e profissionais da saúde devem levar em consideração outros fatores além da simples resposta da criança ao nome. Ela não responde ao nome, mas responde a outros sons significativos para ela? Reage a sons altos e inesperados? Busca interação? Apresenta interesse por coleguinhas da mesma idade? Usa os adultos como ferramenta? Faz contato visual satisfatório?


Afinal, algumas características não podem ser justificadas pelo fato de uma possível surdez. O contato visual é um bom exemplo disso, pois se a questão é puramente auditiva é esperado que a criança faça muito contato visual e preste bastante atenção às expressões faciais dos que convivem com ela na busca de entender e se fazer entendida.


Quanto mais os pais, professores e todos os que passam muito tempo com a criança puderem ficar atentos aos sinais para passar essas informações aos outros profissionais, irão auxiliá-los na investigação sobre possíveis diagnósticos. Da mesma forma, estes profissionais devem ter a sensibilidade de considerar tais informações. Afinal, o objetivo de todos é o mesmo: A criança ser encaminhada para terapias e intervenções realmente adequadas para suas necessidades o quanto antes.


Grande abraço e até a próxima.

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